Acadêmica de Medicina da FCM/UPE integra grupo internacional que publicou artigo na The Lacent Regional Health Americas sobre Covid-19 e atraso de cirurgias no Brasil

Uma acadêmica do curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (FCM-UPE) integra a lista de 16 pesquisadores de quatro países que publicaram um artigo conjunto no The Lancet Regional Health Americas sobre o impacto da Covid-19 no atraso de cirurgias de emergência e eletivas, aqueles não considerados de urgência e emergência, no Brasil.

Aluna do quinto ano, Letícia Nunes Campos foi a segunda autora do manuscrito e integrou a equipe de especialistas do Brasil, da Argentina, do Canadá e dos Estados Unidos autora do estudo. Seu contato com o grupo ocorreu pela participação dos pesquisadores brasileiros que colaboram com o Program in Global Surgery and Social Change da Harvard Medical School. 

“Desde agosto de 2020 que frequento o grupo em questão, que visa desenvolver pesquisas e políticas em saúde voltadas à promoção do acesso universal, em tempo hábil, e seguro a serviços em cirurgia, anestesia e obstetrícia”, afirma Letícia. Ela contribuiu com o planejamento inicial do projeto e da metodologia, o que seria foco da pesquisa, bem como nas etapas de coleta de dados, interpretação dos resultados e escrita do trabalho.

O artigo de 11 páginas, intitulado “Association between government policy and delays in emergent and elective surgical care during the COVID-19 pandemic in Brazil: a modeling study”, foi disponibilizado em agosto na versão online da edição regional das Américas da revista médica britânica The Lancet, uma das mais respeitadas editoras científicas do mundo.

O trabalho mostra que houve um atraso de mais de um milhão de cirurgias no Brasil devido à pandemia da Covid-19, detalhando os estados mais afetados e como medidas mais restritivas impediram um menor atraso nas cirurgias de emergência.

De acordo com os autores, “políticas de saúde mais restritivas para conter a Covid-19 garantem reduções mínimas na realização de cirurgias de emergência, mas aumentam dramaticamente o acúmulo de cirurgias eletivas. Esforços governamentais coordenados serão necessários para abordar especificamente o acúmulo de cirurgias eletivas que acompanha as políticas em saúde mais rigorosas”.

Segundo um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgado na segunda-feira (13), cerca de 27 milhões de procedimentos eletivos, entre exames e cirurgias, foram suspensos no Brasil desde março do ano passado.

O ranking das áreas médicas mais atingidas é liderado pelos procedimentos oftalmológicos, seguido por radioterapia, citopatologia, neurologia, cardiologista, clínica médica, ginecologia e obstetrícia, radiologia e medicina laboratorial.

Artigo na íntegra em inglês: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667193X2100048X